sexta-feira, 29 de abril de 2011

HOMENS E MULHERES DE DIAMANTE

Entre dois imortais de Tarauacá: Álvaro Sobralino e Luísa Lessa

Meus queridos confrades,

Falar na festa imortal da minha posse, na cadeira 25, na Academia Acreana de Letras, virou um fardo para mim, tamanho o seu peso, a sua importância. Essa data magnífica não pode estar dissociada da história, não pode abandonar suas raízes e nem esquecer sua eterna relação com o Acre real, de seus instantes mágicos, de sua ancestralidade. Se não, vejamos!

Quando alguém, além de nossas fronteiras, afirma que o Acre é um lugar especial, um pedaço encantado do Brasil, como se o seu povo fosse feito de diamante, os mais apressados enxergam indícios de xenofobia, defesa exagerada da territorialidade e acreanismo sem nenhum valor.

Quando a Academia Acreana de Letras, após completar 74 anos, faz uma festa desse porte, como uma pedra de carvão que fala, sente, torna-se diamante, chora, resiste, torna-se dia, noite, amante, a gente vai além da homenagem a meu patrono, Heliodoro Balbi, político de valor e homem das letras, e fala dos homens e das mulheres que, ainda hoje, resistem aqui como diamantes.

Então, a gente se sente compelido a botar o Acre no espelho e, na sua frente, postar o restante do Brasil, especialmente aquele dos lugares desenvolvidos, bem dotados, nutridos. Descobrimos que os fatos que ocorrem no Acre o fazem ímpar.

Em 17 de novembro de 1937, acreanos de valor fundaram a Academia Acreana de Letras. Apenas 34 anos separavam aquela data mágica da data de nossa própria existência como povo. Apenas 34 anos entre a existência do Acre brasileiro e a fundação de sua academia de letras, o lugar onde o palpável cede lugar ao abstrato da imaginação e da ternura das letras.

Ao nosso lado, o poderoso vizinho Amazonas demoraria 163 para fundar a sua academia de letras. Em 1755 era constituída a Capitania do Rio Negro e somente em 1918 seria criada a Academia Amazonense de Letras. Esse o exemplo do norte, da Amazônia.

Vamos ao rico sudeste. Minas Gerais, em 1709, já era o centro econômico da colônia, mas a sua academia de letras seria fundada somente em 1909. Nada menos do que 200 anos depois da existência daquele rico lugar. Exemplos não faltam. Em 1532 foi criada a Capitania de Pernambuco, mas a sua academia de letras foi criada somente 369 anos depois, em 1901.

A própria Bahia, onde foi forte e simbólico o desejo de olhar para a imaginação do homem e a sua rebeldia, somente em 1724 foi criada a Academia dos Esquecidos e depois a Academia dos Renascidos em 1759, duas das primeiras tentativas de dotar o Brasil de uma entidade cultural capaz de congregar os interesses literários.

Ocorre que em 1572 já existiam dois governos no Brasil, o do Rio de Janeiro e o da Bahia. Assim, mesmo lá, a academia de letras só surgiria 152 anos depois. Nem O Brasil e os seus 500 anos de história escapam à comparação. A Academia Brasileira de Letras foi fundada em 1897, nada menos do que 397 anos depois do descobrimento. Apesar de Machado de Assis.

Aliás, dezenas e centenas de anos depois de muitos acontecimentos importantes. A Academia Brasileira de Letras foi fundada 89 anos depois que a Família Real chegou ao Brasil. O príncipe regente D. João fundou o Banco do Brasil, o Jardim Botânico, a Imprensa Real e a Escola de Medicina, mas não fundou a academia de letras.

D. Pedro II proclamou a Independência, mas ainda demorou 75 anos para ser fundada a Academia de Letras do Brasil. E, pasmem, veio a proclamação da República, mas não fundaram a academia das letras, que nasceria somente 8 anos depois. No Acre tudo foi diferente! A letra nasceu primeiro, junto com a sua imaginação, a sua liberdade em relação ao poder, a sua autonomia intelectual e a sua eterna utopia. Fazer do Acre uma terra de homens e mulheres livres, decentes e felizes.

Por aqui, como meninos no meio das águas, acabávamos de completar 17 anos que tínhamos governador e apenas 3 anos que havíamos conquistado o direito de ter representante no congresso nacional, apenas duas vagas na imensidão do Brasil. E nunca vamos esquecer que a Expedição dos Poetas, de Galvez, fez conflagrar a luta que tornou esse chão brasileiro. Letras, poesia e pólvora, amor, resistência e utopia fizeram o Acre que temos, com a sua energia, a história e a fé de sua gente.

Jorge Araken, Manoel Mesquita, Clodomir Monteiro, Florentina Esteves, Tião Viana, Antônio Bentes, Geraldo Brasil, Carlos Alberto de Souza, Clara Bader, Edir Figueira Marques, Íris Célia Zanini, Mauro Modesto, Sílvio Martinello, João Crescêncio, Luiz Cláudio, Jorge Tuffic, José Dourado, Maria da Glória, Francisco Thaumaturgo, Dalmir Ferreira, Olinda Batista, Naylor George, Fátima Almeida, Francisco Pinheiro, Claudemir Mesquita, Álvaro Sobralino, Luísa Lessa, Robélia Fernandes, Omar Sabino, Francis Mary, Jarbas Passarinho, Aury de Medeiros e Maria José Bezerra.

Vida longa a todos vocês! Muito obrigado por me aceitarem entre vocês, um lugar que vai me fazer melhor, que vai amadurecer a minha travessia para o eterno e fazer uma repartição solidária do meu coração. E muito obrigado pela travessia! Vocês nos trouxeram até aqui, cheios de luz, irreverência, utopia, amor à vida, abraços e poesia. Vocês, da Academia Acreana de Letras, pela força das letras, são homens e mulheres de diamante!

Vida longa às letras! Vida longa ao Acre e às suas utopias!

Muito obrigado!

3 comentários:

Jalul disse...

Camarada Moisés, estive presente, em pensamento, mas estive, nessa festa de gala onde o amigo foi um dos agraciados.

Meus parabéns!

Luciane Morais disse...

Felicitaciones a todos!

PARABÉNS! PARABÉNS! PARABÉNS!

Quão emocionante deve ser. É glorioso, honroso, triufante; vitoriosos - Homens e Mulheres de Diamante!

Abraços,
Luciane
OLHAR ACREANO

Yonara disse...
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