domingo, 2 de junho de 2013

TIÃO VIANA




O governador Tião Viana iniciou um processo novo no Acre.

No governo, mudou o foco da infraestrutura para a economia, apostando em grandes investimentos em piscicultura e industrialização. Está nascendo um novo Acre de suas áreas rurais, com os trabalhadores mais livres, com o fim da paranoia das multas e apoio forte na pequena e na grande economia.

Na política, reduziu a partidarização do governo, que deixava cada área como se fosse uma ilha dos partidos, especialmente do PT.

Ele vai vencer essa crise atual, passar o Acre a limpo e seguir construindo um Acre mais desenvolvido e mais justo.

Boa sorte, governador!

sábado, 1 de junho de 2013

AO CORACÃO DO STF



CARTA AOS MINISTROS
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 

Senhores Ministros,

Os acreanos pedem cinco minutos de vosso precioso tempo.

Acreditamos que esses cinco minutos podem evitar transtornos materiais, psicológicos e familiares de onze mil pessoas que vivem numa fronteira distante. Os senhores acreditam que o voo mais longo do Brasil é exatamente entre nossa terra e a cidade aonde o STF funciona? São três horas de viagem, quase sempre na madrugada, como se, nós acreanos, fôssemos filhos enjeitados da Nação.

E o mais trágico, senhores ministros, é que nós somos o único Estado aonde o seu povo pegou em armas para se tornar brasileiro. Nós não guerreamos com tratados jurídicos, nossa arma era uma espingarda rústica, que, muitas vezes, explodia nas mãos de nossos avós, lutadores da mata virgem e órfãos de escolas e de hospitais. Bibliotecas? Ah, elas eram como amantes que ficaram no serão nordestino.

Nossa trincheira, estimados ministros, era a floresta profunda. Enfrentávamos insetos venenosos e entes mágicos, que nos assombravam, como nos assombra hoje essa decisão de tornar ilegal o contrato de onze mil acreanos, que entraram sem concurso público na década de oitenta e nos primeiros anos da década de noventa.

Saímos de um confronto armado em defesa do Brasil e, mesmo assim, continuamos um simples Território durante cinquenta e oito anos. Imaginem, senhores ministros, como vivemos aqui durante os primeiros cinquenta anos de nossa existência como brasileiros.

Até o ano de 1992, há exíguos vinte e um anos, o Acre tinha apenas doze municípios. Os demais dez municípios eram vilas, sem escolas de ensino médio e a universidade era palavra maldita nos ouvidos daquelas populações. Em 1999 ainda tínhamos seis municípios sem a presença de ensino médio.

Isso significa dizer que, onze anos após a promulgação da Constituição Federal, ainda tínhamos mais de ¼ de nossos municípios sem a presença do ensino médio.

Como podíamos realizar concurso público para acreanos nessa situação?

O mais deprimente, senhores ministros, é que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira exige formação de nível médio para que professores possam lecionar no ensino básico e nível superior para que possam lecionar no ensino médio.

Até os primeiros anos da década de noventa, aqui no Acre, existia apenas a UFAC, com cerca de trezentas vagas. Hoje a nossa Universidade Federal do Acre oferece mais de duas mil vagas. Há ainda o Instituto Federal de Educação – IFAC - universidades particulares, religiosas e à distância.

A realidade física do Acre também era digna de um filme, daqueles que chocam os olhos e os ouvidos de quem nunca viveu em lugares ermos. Até os primeiros anos da década de 1990, o Acre vivia com dezoito municípios isolados, de um total de vinte e dois, sem nenhum tipo de acesso físico, a não ser a malha dos rios.

As viagens por esses rios demoravam de cinco a dez dias, no inverno, porque, no verão, a viagem vira uma epopeia, com a água escassa e apenas pequenas embarcações, sem proteção ao sol e à chuva, podem navegar.

Era como se quinhentos municípios paulistas ou setecentos municípios mineiros vivessem isolados, sem nenhum acesso à capital. Era esse o quadro desolador do nosso querido Acre, até uma década e meia atrás. Portanto, dez anos após a promulgação da Constituição Federal.

Nesse quadro de Dante vivíamos, sem nenhuma grande empresa do rico Sul ou Sudeste querendo se instalar aqui. Vivíamos dos repasses federais, sem rodovias asfaltadas e sob um fuso horário de três horas de diferença.

As universidades católicas não vieram pra cá. As grandes empresas nos deram as costas. Lutamos com muita dificuldade para organizar a justiça. Até os primeiros anos da década de noventa não havia Fóruns de Justiça e nem representações do Ministério Público em mais 60% dos municípios acreanos.

Não havia delegados formados com nível superior, não havia conselhos tutelares, nem corpos de bombeiros, nem defensores públicos, em mais de 60% dos nossos municípios. Éramos um Estado em construção.

Até 2010, estimados ministros, o nosso governo do Acre, junto com vinte e duas prefeituras, estava formando dez mil professores com o nível superior. Isso representa 85% do total de professores do Acre. Hoje nós temos 95% de professores com nível superior, um índice invejável, em relação aos Estados ricos do Brasil e com mais de trezentos anos de história. Éramos 27% de professores com nível superior há doze anos, quando a Constituição Federal já havia completado treze anos de promulgação.

Foi nesse quadro que os onze mil funcionários entraram no serviço público.

Eles representam, senhores ministros, 30% de todo o funcionalismo estadual do Acre, que é de trinta mil servidores na ativa. Observem que, se esse percentual fosse no Estado de São Paulo, representaria trezentos e cinquenta mil funcionários, de um total de 1,75 milhão de funcionários existentes lá.

Imaginem, estimados ministros, a ADI 3609 atingindo trezentos e cinquenta mil paulistas. Isso não ocorreria, porque São Paulo é litorânea e tem quatrocentos anos de existência. Lá estão as grandes universidades, a inteligência brasileira, as grandes fábricas e concentrou o desenvolvimento, a ciência, a educação, a riqueza e a tecnologia.

O Acre ficou na ponta da fila desses bens brasileiros. Quando pegamos em armas e nos tornamos brasileiros, as grandes cidades do Brasil já tinham completado trezentos anos. Imaginem, senhores ministros, que o Acre só veio a eleger um Governador em 1963, o ano em que nasceu este pobre escriba, que vos escreve com receio, mas, também com a esperança dos homens justos, de que o seu grito será ouvido por quem pode fazer justiça.

Mas, como tragédia, um ano depois se abateu sobre o Brasil o golpe militar de 19964. Voltamos a respirar e a decidir sobre as nossas vidas somente vinte e um anos depois. O Acre do nosso passado, estimados ministros, foi de muito sofrimento e de muita luta, de guerra até.

É este Acre adolescente que pede a atenção de vossas excelências. Aqui a excepcionalidade atingiu a vida social, a constituição das primeiras instituições públicas e, como um punhal de fogo, nos separou de uma nação, a Bolívia, e nos deu outra, o Brasil.

A única cosa que queremos do Brasil, senhores ministros, é que a decisão do STF seja de cumprimento da Constituição Federal e que vossas excelências encontrem uma forma de a lei brasileira não matar esses acreanos que dedicaram à vida à educação, à segurança e à saúde do seu povo.

Dentre os onze mil acreanos prestes a perder sua única fonte de renda, o mais novo tem dezenove anos de serviço. A média é de vinte e cinco anos, porque a grande maioria entrou no serviço público na metade da década de 1980.

A Constituição Federal, estimados ministros, era para ter sido cumprida há vinte anos. Naquela época, esses acreanos ainda eram jovens, tinham vigor físico e intelectual para encarar uma faculdade ou um concurso público.

Agora estão aposentados ou se aposentando, sem nenhuma condição de encarar nova vida e novos desafios, vão ficar à margem da economia e da vida, sem emprego, muitos, doentes e endividados.

O que pedimos a vossas excelências é que permitam a permanência dessas pessoas no lado positivo da vida, a sobrevivência. Não permitam que eles murchem, que percam a esperança no futuro, que sejam abandonados depois de ¼ de século servindo a sociedade.

Pedimos que lhes seja dado mais alguns anos, poucos anos, para que todos se aposentem e possam desfrutar da tranquilidade na velhice.

O Estado do Acre já gastou milhões de reais com eles, durante mais de vinte e cinco anos, organizou a sua aposentadoria, recolheu tributos, saneou as finanças públicas, estamos cumprindo a lei de responsabilidade fiscal. O nosso sistema previdenciário é estadual, está organizado e pronto para receber esses acreanos lutadores.

Sabemos que vossas excelências saberão encontrar o equilíbrio entre o cumprimento da lei e a defesa da vida, porque o vosso coração pulsa como brasileiros, como homens e mulheres que nos dão o maior orgulho e protegem a dignidade das famílias e a segurança jurídica do Brasil.

Temos convicção de que vossas excelências, ao se tornarem guardiões da Constituição, também se fizeram protetores da vida. Como aqui, em nossa floresta profunda e em nossos rios, aonde os entes mágicos, como a Caipora e o Batedor, protegem nossos animais indefesos, nossos peixes e, por extensão, o paraíso natural aonde eles resistem.

É esse o pedido que fazemos ao coração de vossas excelências. Que permitam ao Acre permanecer na sua tranquilidade política, econômica e social, que permitam ao nosso povo viver em paz dentro das folhas legais da nossa Constituição.

Por fim, fazemos um convite especial a cada um de vossas excelências. Quando forem tirar férias, venham conhecer nossos rios, nossas aldeias indígenas, nossa floresta profunda. Que fiquem uma noite em nossas igrejas seculares, que possam beber uma caiçuma e dançar o mariri sob o belo luar amazônico e que vossos corações sintam todo o pulsar da vida, que nasce dos homens e mulheres que, de armas nas mãos fizeram este pedaço de chão se tornar brasileiro.
O Acre tem honra!

Rio Branco – Acre, 1º de Junho de 2013.

MOISÉS DINIZ
Deputado estadual e membro da Academia Acreana de Letras


Carta enviada aos Ministros do Supremo Tribunal Federal

Joaquim Barbosa - gabminjoaquim@stf.jus.br
Ricardo Lewandowski – gabinetelewandowski@stf.jus.br
Teori Zavascki - ainda sem email Luís Roberto Barroso – ainda sem email
Carmem Lucia – audienciaCarmen@stf.jus.br
Marco Aurélio - marcoaurelio@stf.jus.br
Dias Toffolli - gab.mtoffoli@stf.jus.br
Luis Fux – gmlf@stf.jus.br
Gilmar Mendes - mgilmar@stf.jus.br
Celso de Mello - mcelso@stf.jus.br
Rosa Weber - audiencias-minrosaweber@stf.jus.br

quinta-feira, 28 de março de 2013




COMUNISTAS DE AÇO E PAIXÃO

 91 anos é um tempo largo. Quantos de nós gostaríamos de chegar até lá. Essa é a idade do velho PCdoB, com os seus cabelos brancos e a sua rebeldia.

Nesses 91 anos sentimos orgulho pelo tempo de luta e de resistência.

Mas também sentimos remorso pelos que caíram por nossa culpa, pelos que verteram sangue inocente nas lutas do povo brasileiro, na guerrilha e na luta dos sem-terra, dos indígenas, dos negros, dos religiosos combatentes, dos camponeses, daqueles que não viram o seu filho crescer.

Nesses 91 anos sentimos orgulho pelo tempo de luta e de resistência.

Mas também pedimos perdão pela arrogância e pela insistência em achar que éramos melhores do que os outros, por todas as vezes em que fomos unilaterais, quando devíamos abraçar o diálogo e a convergência, quando decretamos que a nossa verdade era única e deixamos de olhar para os argumentos do outro.

E por conta disso, o povo não nos seguiu. Na sua imensa sabedoria, o povo constatou que nós não estávamos prontos para cuidar do seu destino, porque viu em nós arrogância, porque viu em nós intolerância, porque viu em nós verdades únicas.

Estamos mais leves na ideologia, porque entendemos que a verdade é uma construção, coletiva, compartilhada. Aprendemos que partido único é aberração, num país plural e diverso, na cultura, na rica regionalidade, em todas as formas de tribos, na religião.

Partido único trazia verdade única, sindicato, igreja, cátedra e até pensamento. Tudo era único e o que fosse adverso, reflexivo, era subversivo, exclusão.

Estamos mais leves também na política, mais afeitos a ouvir e respeitar o contraditório, capazes de perceber que o adversário político de hoje pode ser o aliado de amanhã, porque não trabalhamos o personagem, mas a ideia.

Vencemos nosso impulso maniqueísta, naquela eterna luta entre o bem e o mal. Nossa luta aqui é pelo bem comum, por vida digna para os acreanos. Aquele que quiser, pode a nós se juntar. Só pedimos que não olhe para trás, apenas abrace o sonho da vida digna e sustentável.

Nesses 91 anos queremos nos orgulhar, queremos refletir, queremos rezar, orar. Sim, rezar e orar, por que não? Deus não é propriedade da Opus Dei ou de qualquer teólogo. Deus agora também faz parte das nossas orações e até protege a nossa ideologia.

Nesses 91 anos queremos pedir perdão por toda dor que golpeou a humanidade, pelo tempo perdido que deixamos de lutar e de proteger os mais fracos, pela omissão, pela preguiça em ir aos bairros, às aldeias indígenas, organizar aqueles que precisam de organização, para lutar, para resistir, para amar aqueles que precisam de amor.

terça-feira, 5 de março de 2013

 
A POLÍTICA PODE SER MAIOR
 
Ontem ocorreu um ato no gabinete do governador do Acre que, por sua simbologia, merece algumas mal traçadas linhas, comemorativas do retorno do blog Ecos Socialistas.
 
Desde a semana passada que eu dediquei tempo em construir uma agenda diferente, com o objetivo de ajudar na organização do Centenário de Tarauacá. Propus ao governador a agenda que, bem ao estilo de Tião Viana, abraçou sem ressalvas.
 
A idéia central era unir forças para que o Centenário de Tarauacá fosse inigualável, bonito e digno de sua história heróica.
 
Convidei o prefeito Rodrigo e o vice-prefeito Batista e os 11 vereadores de Tarauacá. Vieram 9, mais algumas lideranças indígenas e outros líderes tarauacaenses, como Luiz Meleiro e Janílson Leite.
 
Não convidei apenas os vereadores da Frente Popular, convidei todos, liderados pelo vereador-presidente Manoel Monteiro. Convidei ainda o deputado Walter Prado, eleito por Tarauacá.
 
Eu poderia ter deixado o Walter fora, porque isso é da tradição da política. Cada político trabalha de forma a nunca incluir outros políticos. Eu fiz diferente porque penso diferente.
 
Fiz questão de convidar o presidente da Assembleia Legislativa, Élson Santiago. Como sou vice-presidente da Aleac e a agenda era acerca de Tarauacá, eu poderia ter dispensado o presidente também dessa reunião. Mas, fiz oque acho correto: incluir, ampliar.
 
Sabe o que aconteceu? O presidente Élson acertou um apoio que pode variar de 50 a 100 mil reais para a festa histórica do Centenário de Tarauacá. Se eu tivesse feito a política tradicional, pequena, a nossa querida Tarauacá não teria esse apoio financeiro extra.
 
Que sirva de lição a quem olha tanto para o umbigo, que acaba só enxergando os próprios pés. E, na maioria das vezes, nem percebe que está caminhando para o abismo.
 
Convidamos ainda os reitores da Ufac e do Ifac e o deputado Sibá Machado. Na reunião ficaram acertados compromissos importantes para Tarauacá:
 
a)   Entrega do Campus do Ifac ainda no ano de 2013, devendo a licitação ocorrer até junho;
b)  O Ifac deverá doar à Ufac cerca de 5 ha para a construção do seu campus, uma emenda do deputado Sibá Machado;
c)   Em 2013 o Ifac oferecerá à Tarauacá dois cursos de nível superior (Física: 40 vagas e Agroecologia: 40 vagas) e ainda 150 a 200 vagas em cursos técnicos;
d)  A Ufac oferecerá aos tarauacaenses, em 2013, os cursos de Matemática; 50 vagas (presencial), Administração: 50 vagas (Ufam) e artes Visuais: 25 vagas (UnB).
e)   Por sugestão do vereador Marlindo Pinheiro, foi acertado um seminário com apoio do governo do Acre para discutir políticas públicas para a juventude rural;
f)    Sugerida por Mirabor Leite, os secretários do governo participarão de uma audiência pública em Tarauacá para tratar da produção agrícola e do meio ambiente.
g)  O governador destacou o secretário de Educação, Daniel zen, para acompanhar de forma rigorosa a reforma do Estádio Naborzão.
 
A Assembleia Legislativa, por indicação minha  e do Walter Prado, realizará sessão especial em Tarauacá, para homenagear as 100 famílias que mais contribuíram com a história do município nesse século de existência.
 
A Academia Acreana de Letras, por sugestão nossa, realizará sessão solene no Teatro José Potyguara.
 
Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a histórica reunião, que demonstrou a maturidade dos políticos de Tarauacá.

domingo, 2 de setembro de 2012

A OVELHA PERDIDA



                 Li com atenção o artigo do Pr. Paulo Machado, um religioso respeitado, (A Síndrome da Identidade Cristã), que utilizou versículos bíblicos para atacar a esquerda e demonstrar que, “aqueles que estão à esquerda de Deus”, são os ‘malditos’, afirmando coisas horríveis contra a esquerda e reverenciando a direita. Acho que um pastor devia olhar mais para o coração dos homens e tentar encontrar o caminho do perdão, porque o “amai-vos uns aos outros” é mais forte do que qualquer ódio e qualquer ofensa.

                 Não vou aqui enumerar os crimes da direita, na longa marcha da humanidade em busca da paz, apenas vou lamentar que a Bíblia seja utilizada para atacar posições políticas, especialmente em período eleitoral. Prefiro ficar com os pastores que não têm partido (ou o utilizam fora de suas igrejas e de forma respeitosa), que não usam o nome de Deus em vão, que amam a todos, sem distinção, que preferem os mais fracos, as ovelhas perdidas, que amam os mais pobres, porque é fácil amar os mais ricos.

                  Todavia, se querem o debate político sobre as ‘coisas de Deus’, escritas na Bíblia, como se comportavam mesmo os partidos do tempo de Jesus?

                 Os Partidos de Deus, surgidos entre 103 e 76 a.C., na Palestina do tempo de Jesus, tripolarizavam a simpatia e a aversão dos israelitas, como veremos. Fariseus, saduceus e zelotes, cada um com a sua concepção religiosa e política, dividiam as atenções e interesses da massa de fiéis.

 
                 Fariseus

                 Partido religioso judaico, descendente dos assideus do tempo dos macabeus.

                 Os assideus deram, também, origem aos essênios, associação religiosa judaica da Palestina, de caráter monacal e tendência ascética. A formação religiosa de seus membros contemplava um ano de Postulantado e dois de Noviciado. Seus membros faziam juramento de pobreza, castidade e obediência e recebiam uma doutrina secreta. João Batista, o precursor de Jesus, era um essênio, quando São Lucas o anuncia: O menino crescia e se fortalecia em espírito e morava no deserto, (Lc.1 ,80). Assideus ou hassidim, em hebraico, significa os piedosos.

                 Os fariseus defendiam a teocracia, mas eram moderados frente à ocupação romana. Acreditavam na ressurreição, nos anjos e na imortalidade. Junto ao povo gozavam de grande prestígio e liderança.

 

                 Saduceus


                 Partido religioso e político, originários de Sadoc, o Sumo Sacerdote colocado por Salomão em lugar de Abiatar: Depois o rei nomeou o Sacerdote Sadoc como substituto de Abiatar, (1Rs. 2, 35).


                 Os saduceus surgiram de uma dissidência dos fariseus, em 135 a.C., quando Jônatas usurpou o Sumo Sacerdócio. Na política, os saduceus apoiavam a dominação romana e controlavam a nomeação dos Sumo Sacerdotes. Os saduceus negam a ressurreição e a existência de anjos e espíritos: E chegando até ele (Jesus), alguns saduceus, que afirmam não haver ressurreição, (Mc. 12, 18).

 
                 Zelotes

                 Sobrenome do Apóstolo Simão, quando Jesus escolheu os doze apóstolos: E Simão chamado Zelotes, (Lc. 6, 15). Partido revolucionário e nacionalista, muito ativo entre os anos 6 e 70 d.C. Opositores radicais da dominação romana, defendiam o estabelecimento da teocracia, expulsando, pela força, os dominadores estrangeiros.

                 O partido dos zelotes ganha força quando um influente membro do partido dos fariseus provoca uma dissidência, assumindo uma postura mais radical frente à ocupação romana. O fato está registrado, quando o fariseu Sadoc questiona Jesus sobre o pagamento de imposto aos romanos: Dize-nos, pois, tua opinião: “é lícito pagar imposto a César ou não?”, (Mt. 22, 17). A resposta de Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, (Mt. 22, 21), apesar de fazer uma concessão à política dos saduceus (Dai a César o que é de César), outorga elementos (E a Deus o que é de Deus) para que zelotes e fariseus nacionalistas alimentem a sua política de combate à ocupação romana.

                 Jesus, pelos relatos bíblicos, nutria uma forte simpatia pelos Zelotes, apesar de condenar seus métodos violentos: Põe a espada na bainha, pois quem toma da espada, pela espada morrerá, (Mt. 26, 52), quando repreende Simão Pedro, que ferira Malco, o servo do Sumo Sacerdote, que viera prender Jesus. Quando condena a exacerbada subserviência de fariseus e saduceus (escribas que escolhiam o Sumo Sacerdote), indica ao povo da Palestina o partido político-religioso de sua opção: Ai de vós escribas e fariseus, que pagais o dízimo, mas não vos preocupais com a justiça, (Mt. 22, 23). Algumas passagens bíblicas relativas aos últimos dias de Jesus e após ele, indicam que a sua preferência pelos zelotes fez seguidores:

                 - Na escolha dos doze apóstolos, Jesus indica Simão, membro do partido dos zelotes, chamado, ainda, de cananeu, habitante de Canaã, terra prometida por Deus e conquistada pelos israelitas, situada entre o vale do rio Jordão e a costa do Mediterrâneo.

                 - Quando Pôncio Pilatos levou, ao povo, a opção entre soltar Jesus ou Barrabás, um zelote, o povo preferiu Barrabás! É lógico que a massa fanatizada foi convencida pelos Sumo Sacerdotes e anciãos (saduceus e fariseus), todavia, não teria tomado aquela decisão, se os zelotes não exercessem algum prestígio. O prestígio dos zelotes, representados por Barrabás, está registrado no episódio da condenação de Jesus: Era costume, por ocasião da festa, o Governador libertar um preso a pedido do povo. Havia então um ‘preso famoso’ chamado Barrabás, (Mt. 27, 15-16).

                 - O Sumo Sacerdote Ananias, que mandou esbofetear o Apóstolo Paulo, por este pregar a mensagem de Cristo, foi assassinado pelos zelotes em 66dC. O Apóstolo Paulo profetizou o seu fim: Deus te ferirá também a ti, parede caiada!, (At. 23, 3).

                 - Quando os Apóstolos Pedro e João foram levados diante do Sinédrio, controlado pelos saduceus, um doutor da Lei, chamado Gamaliel, advertiu os israelitas de que aqueles homens poderiam estar a serviço de Deus. E, ao compará-los com dois revolucionários (Teudas e Judas, o Galileu), o escriba associava os Apóstolos Pedro e João aos zelotes: Israelitas, considerai bem o que ides fazer com estes homens. Há algum tempo apareceu um certo Teudas, que se considerava grande homem. Com ele se associaram cerca de quatrocentos homens. Ele foi morto e todos os que o seguiam foram dispersos e reduzidos a nada. Depois dele levantou-se Judas, o Galileu, nos dias do recenseamento e arrastou o povo consigo. Mas também ele morreu e todos os que o seguiram se dispersaram. Não vos metais com estes homens, deixai-os ir. Se for iniciativa ou obra dos homens, perecerá. Mas, se vem de Deus, não podereis eliminá-los e algum dia talvez constatareis terdes combatido a Deus, (At. 5, 33,39).

                 Como vimos, espiritualmente, saduceus, fariseus e zelotes defendiam a teocracia. Saduceus e fariseus dividiam-se entre acreditar ou não na existência de anjos, na ressurreição e na imortalidade. Os primeiros acreditavam, apenas, na imortalidade. Quanto aos zelotes, expulsos das sinagogas, não lhes era dado o direito de manifestar-se sobre questões teológicas. Ocupavam as catacumbas, para venerar o seu Deus e organizar a resistência armada aos romanos.

                 No terreno político, em relação ao poder romano, que ocupara a Palestina, os três Partidos de Deus tinham posições definidas. Os saduceus, de direita, apoiavam a ocupação romana. A sua posição subserviente à ocupação estrangeira rendeu-lhes o direito de nomear os Sumo Sacerdotes. Os fariseus, de centro, oscilavam entre o apoio à ocupação romana e o anseio de libertação do povo da Palestina. Quanto aos zelotes, de esquerda, defendiam a expulsão, pela força, dos romanos.

                 Apesar desses conceitos (direita, centro, esquerda) terem surgido somente quinze séculos depois, introduzimo-los para demonstrar que, já naquela época, os partidos tinham posições definidas e o resultado destas era cristalino. O partido dos fariseus, por exemplo, ao transitar entre o apoio e a crítica à ocupação romana, tornara-se o partido que, junto ao povo, gozava de grande liderança e prestígio E por que isso? Os fariseus afastavam-se do combate frontal à ocupação romana que, realizado pelos zelotes, provocava mortes, perseguições e exílios. Assim, os israelitas da Palestina (ocupada, em 332 a.C., pelos exércitos de Alexandre Magno) viam nos fariseus, o equilíbrio entre a intolerância dos zelotes e a subserviência dos saduceus, frente à ocupação romana. Apesar da humilhação e dos pesados tributos (apoiados pelos saduceus), o povo optara por viver sem sobressaltos (fruto da política dos zelotes), acreditando que os fariseus, com a sua política de equilíbrio, negociariam a retirada pacífica dos romanos.

                 Todavia, isso foi no tempo de Jesus. Agora, é preciso separar Religião de Estado e Partido de Igreja. Que cada homem e cada mulher professem a sua fé, acolham a sua igreja e não permitam que o nome de Deus seja utilizado por interesses mundanos, seja de direita, seja de esquerda.

 
Moisés Diniz é membro da Academia Acreana de Letras.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

JUTIÇAMENTO É CRIME!


NOTA DE REPÚDIO

Um grupo de bolivianos enfurecidos queimou vivos os brasileiros Rafael Max Dias e Jefferson Castro Lima, na localidade de San Matías, na Bolívia.

As autoridades do Acre e o nosso povo não podem deixar impune tamanha indignidade. Precisamos nos levantar e exigir justiça contra os carrascos bolivianos, que subverteram a lei e fizeram justiçamento, derramando sangue e usurpando o papel dos tribunais e do ordenamento jurídico. Uma violência.

A Assembleia Legislativa, o Governo do Acre, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, a nossa Bancada Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil, as Igrejas, as Universidades e os Sindicatos devem encaminhar ao governo da Bolívia notas de repúdio e que exijam providências imediatas e duras contra os criminosos.

O Acre não pode permitir tamanha ofensa, tão grave indignidade à pessoa humana. Quem cometeu crimes, em qualquer lugar do mundo, deve ser investigado e punido de acordo com as leis daquele país.

Moisés Diniz
Deputado Estadual - PCdoB

domingo, 12 de agosto de 2012

PAI



PAI,

Você nem está aqui para que eu possa te abraçar. Durante toda a minha infância você ficou longe, nos seringais, nas matas, nos rios, seringueiro, mateiro, pescador de alimentos e caçador de abrigo para nós, teus filhos.

E durante toda a minha adolescência fiquei longe de você, porque eu acreditava, vivendo no internato da Igreja, que Deus iria curar todas as dores do homem, bastava que eu fizesse a minha parte, seguindo-O.

Agora você me prega esta peça: foi viver com Deus e ainda levou a minha mãe. Hoje me sinto perdido no meio desses homens e dessas mulheres que se tornaram RGs e CPFs, como se o ser humano não tivesse alma, apenas conta bancária e cargo público.

Aqui somos tão poucos a chorar, a abraçar os mais pobres, a compartilhar. E eu nem sei mais se ainda estou entre eles. Nem sei se a minha alma ainda está iluminada dos tempos em que compartilhar e ser solidário era a ação mais grandiosa do homem.

O tempo é tão veloz, tão exigente e pragmático, que o orvalho está desaparecendo, consumido por imensos blocos de concreto e a lua disputa inconsolável o seu espaço com as grandes luminárias artificiais.

Você me ensinou a olhar o mundo de um jeito terno, mas, também corajoso, fraterno. Diariamente, imensas nuvens de poder e de cobiça devoram a minha simplicidade e me tornam um mamulengo do capital que destrói e mata. Sinto vergonha das minhas covardias e dos meus medos de amar com plenitude os seres humanos que sofrem nesse planeta de privilegiados.

Queria poder te abraçar no teu dia, como eu fazia, quando não entendia o teu cinturão, para corrigir as minhas estripulias. Sinto falta do teu sorriso e do teu abraço, dos teus conselhos e das tuas preocupações.

Sei que meus irmãos e minhas irmãs também sentem muito a tua falta. Você era como chuva que cobria a todos sem distinção, nos amava com calma e firmeza e nos ensinava as primeiras palavras da solidariedade, do amor e do tratar bem o próximo.

Você quase não dizia nada, não era pós-doutor, mas nos ensinava com o exemplo, com o olhar, com a simplicidade de trazer para casa a pouca comida para tantos filhos, de cobrir tantos com tão poucos lençóis.

Você foi um pai espetacular!

Se o que temos as traças levarem, não farão parte do patrimônio que você deixou. O teu suor sequer deu para nos deixar uma casa, mas você e mamãe nos deixaram uma montanha de diamante, uma jazida de ouro, porque é um tesouro de exemplo, de vida e de ética.

Quando, às vezes, o ambiente em que vivo inclina-se para situações amorais, eu me lembro de você e me esforço para seguir limpo. As dificuldades que passamos juntos, eu, você, mamãe e meus irmãos, não nos autorizam a tornar-nos lobos do semelhante, não nos ensinaram a perverter o homem bom que Deus deixou dentro de cada um de nós.

No teu dia, eu sequer posso ir à tua casa sagrada, porque está lá do outro lado do mundo. Se estiveres me ouvindo, pede por todos os homens. Diz aí baixinho pra Deus que a humanidade já não aguenta mais de tanto sofrimento, tantas mortes bárbaras, inocentes torturados, seviciados, gente sem casa para dormir uma noite e sem pão para cobrir uma parte do estômago.

Diz aí baixinho pra Deus que nós nos perdemos e não estamos conseguindo achar o caminho de volta, do tempo em que a gente amava de verdade e estendia a mão, que sabia compartilhar e conseguia ser irmão.

PAI!