terça-feira, 1 de março de 2011

Dá pra fazer as duas coisas


No dia 5 de fevereiro publiquei um post com o título Quando a solidariadade é negra e latina, informando da minha visita aos haitianos que estão em Brasiléia buscando refúgio humanitário.

A nossa ida teve consequência e foi criado o Comitê de Solidariedade aos Refugiados Haitianos.

De lá pra cá muita coisa foi dita, "algumas benditas, outras malditas". Cada um faz o juízo que quer, cada um fala para a sua platéia e, muitas vezes, não percebe que o povo está olhando e ouvindo.

Os haitianos que estão na fronteira precisam ser bem tratados e aqueles que entram devem passar por rigoroso controle sanitário e epidemiológico. A fronteira deve ser controlada, mas não pode transformar-se num muro de sal contra os pobres do Haiti.

Todo mundo sabe que temos pobres no Acre, mas isso não pode servir de argumento pra gente barrar refugiados haitianos, que fogem de um país devastado por um terremoto e abandonado pelos países ricos.

O Acre deve recebê-los bem. A nossa gentileza acreana e amazônica vem dos tempos em que vivíamos nos seringais. Sempre fomos um povo hospitaleiro. Não podemos permitir que a nossa alma fique pequena diante da solidariedade.

Cuidar da fronteira brasileira, proteger-nos de doenças e epidemias, não pode transformar-se em preconceito. É preciso ter equilíbrio e cuidar das duas coisas.

O debate na Assembleia Legislativa do Acre está maduro porque contempla as duas preocupações e, com certeza, construirá uma visão intermediária, tolerante, solidária, mas cuidadosa com os interesses do povo do Acre.

Acre e Solidariedade não são palavras incompatíveis, são complementares.

2 comentários:

Lindomar disse...

Caríssimo Moisés,

Sua posição é a mais lúcida e humanitária até aqui entre os Deputados Estaduais. Cuidados sanitários devem haver sempre, para nós, para os haitianos... para todos. Mas, não podemos deixar que o conceito de "nação" supere o conceito de humanidade. Sei de sua visita aos haitianos que resultou na criação do comitê. Nós do Cimi estamos acompanhando via Cáritas Diocesana e, acredito, o melhor caminho será esses mesmo: acompanhar e averiguar os reais interesses e causas.

Bom trabalho.

Lindomar Padilha

Leandro disse...

Com o crescimento do Brasil no cenario internacional e do Acre se tornando porta de entrada para estrangeiros, precisamos tb mudar as nossas concepões e saber acolher estes que em tempos dificeis buscam a prosaica solidariedade brasileira.Não há mais lugar para provincialismo e preconceito.
Não vejo dificuldade de com um bom acompanhamento, os haitianos virem se integrar e somar na construção do Brasil.