terça-feira, 25 de janeiro de 2011

É tempo de perceber a essência


Hoje eu acordei cedo para coordenar duas ações principais do dia: concluir a composição da chapa à Mesa Diretora da Assembléia Legislativa e mediar o diálogo entre PMs Voluntários e o Governo.

Logo cedo fui surpreendido pelo acampamento dos PMs Voluntários em frente à Aleac, o que provocou a suspensão do diálogo. É que não havia necessidade de pressão, já que a negociação estava aberta, inclusive com reunião agendada.

Mas, como se trata de sobrevivência, de luta pelo emprego, de sustento da família, de pessoas que cuidavam da nossa segurança, nós estamos trabalhando com o máximo de boa vontade e paciência. Acredito que amanhã chegaremos a um bom termo.

No meio dessas duas demandas principais, inúmeros problemas que chegam dos bairros, dos municípios, da sociedade que vive um momento de transição e de todo tipo de dor.

Dezenas de telefonemas que não pude retornar, porque o tempo não permitiu, pedidos inconfessáveis, demandas reprimidas, como se fosse possível atender todas as necessidades. E olhe que ainda estamos em recesso parlamentar.

Tem horas que dá vontade de desistir, voltar para a minha querida Tarauacá e, nos finais de tarde, poder jogar o meu futebol, visitar os amigos e não permitir que, cada vez mais, eu me distancie das pessoas que sempre me fizeram bem.

A luta política é inglória, você se esforça para ser honesto e não convence, luta pelo coletivo, mas ganha a imagem de que vive pelo individual, enxuga gelo todo dia, porque na manhã seguinte os problemas só mudam de nome, de endereço e de RG.

Hoje eu tratei de problemas tão variados que se fosse médico, não seria especialista, seria um clínico geral. E por ser assim, você fica na superficialidade, não tem tempo de dialogar melhor, de ouvir com atenção, de perceber a essência e, muitas vezes, comete injustiças, cuidando de quem não precisava de atenção.

Enquanto isso, os mais pobres ficam sem a minha visita, os mais distantes sem a minha presença e o tempo vai passando e a gente envelhecendo. Por isso que eu acho que precisamos despertar para novos horizontes, novas formas de fazer política e encontrar um novo jeito de cuidar das pessoas.

É preciso olhar para as nossas pegadas na areia e descobrir se estamos andando sozinhos, achando que estamos andando juntos, só porque conversamos ao telefone, no msn ou pelos jornais.

É preciso a gente encontrar um jeito de não andar só nesse mundo que se acha moderno e interativo, com internet e celular, mas assiste ao aumento de sofrimentos e doenças que a humanidade não conhecia nos primórdios.

O homem moderno está cada vez mais sozinho, mais angustiado, mais cercado pelos seus semelhantes que se tornaram lobos, apesar de usarem perfume francês.

Hoje foi um dia horrível, mas eu aprendi com ele que a gente precisa ter fé no futuro e olhar além do horizonte. Perceber a luz e a sombra em eterna disputa entre os nossos dedos.

E amar mais, mesmo que isso nos custe caro.

7 comentários:

Archibaldo Antunes disse...

Ah, deputado, o texto está um primor. Parabéns. Quando escreve assim, nem parece que o senhor é aliado dos petralhas.
Forte abraço.

MOISÉS DINIZ disse...

Caríssimo Archibaldo,

"O país dos petralhas é um livro escrito pelo jornalista brasileiro Reinaldo Azevedo.

PS: Acho que Reinaldo Azevedo nunca soube o que seja um sopro de tolerância jornalística e de saber ouvir o contraditório. Ele é taleban da VEJA e ganha muito bem pelas suas linhas de sangue contra o aqueles que lhe afligem seu coração sem ressonância.

A obra reúne artigos escritos em seu blog hospedado pela versão online da revista Veja e outros publicados no Jornal do Brasil.

No livro Azevedo analisa criticamente o comportamento da esquerda brasileira, em especial o do Partido dos Trabalhadores (PT). Todavia, o autor não se restringe à esfera da política, discutindo também a ação dos meios de comunicação, a situação do sistema educacional (básico, médio e universitário), o posicionamento Igreja Católica, entre outros temas.

O título do livro traz o neologismo criado por Azevedo que mistura as palavras petista e metralha, dos Irmãos Metralha, quadrilha das histórias em quadrinho cujo objetivo único era assaltar o cofre do Tio Patinhas, numa clara alusão ao que considerada sanha do Partido dos Trabalhadores em engordar as caixas do partido com fundos provenientes do erário". Wikipéia.

Dava para dialogar se fosse para transcrever a ação dos irmãos metralhas, até dava para aceitar, porque o Tio Patinhas é o George Soros, O Olavo Setúbal, o Daniel Dantas, os parasitas do sistema financeiro parasita, que consome os recursos da nação, golpeia a produção agrícola e industrial. Tio patinhas é um termo carinhoso para um tubarçao do capitalismo pré-industrial.

Os justos, que são esmagadora maioria, pagam pelos aloprados e pelos supostas mensaleiros.

Ocorre que atinge milhões de petistas honestos, em todos os quadrantes do Brasil e fere de morte a honra desses bravos companheiros, que não recebem uma ruela para defender os ideais, equivocados ou não, do projeto petista e de seus aliados.

No mais, não invente de parar de escrever, de contestar, de mexer nas nosas feridas. Você é um dos poucos que percebe aonde estão os nossos Calcanhares de Aquiles.

Forte abraço,

Moisés Diniz

Anônimo disse...

Caríssimo deputado, compreendo seu desalento mas não desanime diante das agruras da vida.Seu trabalho e dedicação está no reconhecimento de muitos que são bons e torcem direta ou indiretamente pelo seu sucesso.Parabéns, como sempre seus textos me encantam.Valeu por hoje.
Abraço grande.

Duda Marques disse...

Não é a toa que tenho admiração por você. Belo texto. Temos que o tempo todo nos policiar para não cairmos na armadilha da burocracia e perdermos o foco.

Jairo Nolasco disse...

Prezado Moisés,
Nem sei definir qual foi o melhor neste caso: O remendo ou o soneto em si. Show !!!

Carioca disse...

Olá Moisés, tudo bem?

Um desabafo que poucos falam publicamente, isso é um ato de coragem.

Camarada, entrei para o movimento estudantil em 2003 no grêmio do CERB, no mesmo ano me filiei na UJS e ao Partido Comunista mesmo sem saber o que realmente tava fazendo. E na luta por dias melhores, fui descobrindo na prática as injustiças sociais, o que é o sistema capitalista, ouvia os camaradas debatendo as teorias de Marx, Lênin, os grandes pensadores, as músicas de protesto, o período da ditadura militar, enfim... ficava perdido em meio da conversa dos universitários, era totalmente desorientado politicamente, assim como muitos ainda são.
E nisso tudo fiquei curioso em aprender, comecei a ler muito sobre a história do nosso país, das grandes lutas, assisti muitos documentários, etc. e tal. Fiquei pronto para a guerra pra derrotar os esquemas de corrupção (desvio de dinheiro público, funcionários fantasmas, privilégios do poder, enfim.), acabar com as injustiças e, instaurar um governo democrático revolucionário e socialista, mas... o tempo vai passando, as nossas principais lideranças vão fazendo o contrário do que aprendi nos livros, e um novo termo vem sendo muito utilizado, “acumulação de força”.
Moisés, o partido comunista é diferente de todos os outros partidos, tem historia e luta pela transformação da sociedade, nós não podemos errar. Hoje nós fazemos parte da frente popular, estamos governando o Acre desde 1999, e camarada tem muita coisa errada que gostaria de denunciar, e você camarada sabe disso, não pra dar armas pra direita voltar a governar o Acre, muito pelo contrário.
A revolução é plena e não aos poucos, nós estamos nos adaptando ao sistema capitalista burguês, fazendo leis cegas a esse sistema, tentando minimizar o sofrimento do pobre, do miserável.

Camarada em pleno século 21 do capitalismo aprimorado, o socialismo vive, exemplo vivo é aqui na Bolívia, no Equador, na Venezuela, enfim... o nosso país tem toda a riqueza natural pra sustentar os 200 milhões de brasileiros mais a America Latina.
Viva os camaradas que lutaram até a morte para que hoje possamos debater aqui nesse meio de divulgação, nas praças, nos espaços públicos, porque o cerceamento policial acabou.

Moisés, um simples oi, um abraço camarada, retornar a ligação é um ato de compromisso, você é um representante do povo.

Um abraço, humildade sempre.

Maria Claudione de Souza Rodrigues disse...

Sem palavras...
Lindo texto!